Velocidade máxima

Quanto tempo duram as previsões no mundo da pandemia do coronavírus? E as decisões das autoridades para mitigar os seus efeitos sobre a economia? Cada vez menos, dizem os fatos. O fim de semana foi pródigo em mostrar que projeções ou afirmações sobre o que vai acontecer desmoronam com velocidade assustadora, em questão de dias ou até horas.

O principal exemplo foi dado pelo Fed, o banco central americano, que se reuniu em caráter extraordinário nesta tarde de domingo para cortar a taxa de juros nos Estados Unidos em um ponto percentual, para o intervalo entre zero e 0,25%. Além disso, anunciou que vai comprar US$ 700 bilhões em títulos com o objetivo de injetar liquidez no mercado. Apenas 12 dias antes, quando se reuniu também de forma emergencial para já reduzir os juros, o Fed havia avaliado que o coronavírus representava riscos em evolução para a atividade. Ontem, o tom foi mais assertivo: “Os efeitos do coronavírus vão pesar sobre a economia no curto prazo e representam riscos para as perspectivas.” Leia mais sobre a decisão: http://bit.ly/38Z6FSM 

O que dizer das projeções de crescimento da economia, que, em alguns casos, mal são divulgadas e já ficam defasadas? Ontem o Goldman Sachs revisou de 1,2% para 0,4% a sua estimativa de alta do PIB americano neste ano. Pouco tempo depois, o Fed anunciou o corte excepcional nos juros. Para o banco de investimento, o impacto da pandemia no curto prazo será tão violento que a economia vai encolher 5% no segundo trimestre. Isso, claro, a depender da reação das autoridades: http://bit.ly/33praa2 
As medidas do Fed vão surtir efeito em estabilizar os mercados e amenizar os efeitos do coronavírus sobre a economia? Prematuro e arriscado dizer. Alguns analistas pontuaram que o problema não é monetário, enquanto outros veem a ação do Fed como um sinal importante para mostrar ao mundo que as autoridades estão de prontidão. A reação inicial dos investidores não foi positiva. Os índices futuros do Dow Jones e do S&P 500 abriram com forte queda e bateram no teto de perdas ainda na noite de domingo, o que pode servir como um mau sinal para hoje: http://bit.ly/2vs7aqE

Mas a reação das autoridades não deve parar por aí. Uma reunião de emergência dos líderes do G7, grupo que reúne Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Canadá e Itália, foi convocada para hoje, por teleconferência. A expectativa é a de uma ação coordenada.
Dias depois da Itália, a Espanha e a França determinaram no fim de semana o fechamento de bares, restaurantes e do comércio (exceto farmácias e supermercados), em tentativa de conter o avanço do coronavírus. Os governos dos dois países também determinaram a redução de voos e de viagens de trem e ônibus para o exterior. Outras nações foram além: Dinamarca, Polônia e República Tcheca fecharam suas fronteiras para todos os estrangeiros. Alemanha e Holanda proibiram viagens a partir de países com maior número de infectados. É um fenômeno conhecido como “lockdown”, o bloqueio parcial ou total das fronteiras e da circulação de pessoas. Leia mais sobre esse fenômeno e as restrições mundo afora: http://bit.ly/2vtKlTy

O fechamento de fronteiras é particularmente chocante porque acontece no continente que simbolizou o mundo sem fronteiras, por meio da União Europeia e sua bandeira da livre circulação de pessoas. 

Aqui vale lembrar que a própria União Europeia criticou duramente a decisão unilateral de Donald Trump de banir viagens da Europa para os Estados Unidos por 30 dias, em anúncio na última quarta-feira (dia 11). “Doenças desconhecem fronteiras”, disse a francesa Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, na ocasião. Mais um exemplo de como a rápida propagação do coronavírus está colocando o mundo em contradição.

Os americanos, vale dizer, também começaram a adotar tais medidas que pareciam impensáveis poucos dias atrás: Nova York, Chicago, Los Angeles e outras cidades e estados começaram a impor o fechamento de bares, restaurantes (exceto para entregas) e de parte do comércio. 
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No mundo dos negócios não é diferente. Na última sexta, a American Airlines anunciou a suspensão de algumas rotas para a América do Sul, incluindo voos de São Paulo para Los Angeles e Dallas. Pois menos de 48 horas depois, a American, que é uma das maiores companhias aéreas americanas, decidiu suspender todas as rotas para o Brasil, o Chile e a Argentina até no mínimo o início de maio. Isso inclui os voos diários para Miami e Nova York a partir de São Paulo e do Rio. Quem havia comprado poderá remarcar sem cobrança de taxas. Saiba mais sobre a restrição aos voos: http://bit.ly/2U7usui 
No Brasil, já são 200 pessoas contaminadas com o coronavírus, segundo cálculo da noite de domingo. O fim de semana foi de cancelamento de eventos esportivos e culturais e de procura das pessoas por alimentos e produtos de higiene em supermercados, alterando uma rotina que, uma semana atrás, não apresentava novidades. O que não mudou foi o compasso de espera de empresários e investidores pela reação do governo aos efeitos do coronavírus sobre a economia. Uma rara manifestação coube a Carlos da Costa, secretário de Produtividade do Ministério da Economia: “Estamos trabalhando em medidas que garantam o mínimo de impacto sobre nossa produção e emprego”, afirmou. Leia mais sobre o que pensa a equipe econômica sobre o impacto da pandemia: http://bit.ly/3d1w6WK
Uma dúvida que emerge do fim de semana é como ficará a relação do governo com o Congresso depois dos atos populares em diversas capitais neste domingo contra os parlamentares e o STF, que acabaram por contar com a participação e o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Apesar da suspeita de contaminação por coronavírus e da consequente recomendação médica para evitar aglomerações, o presidente cumprimentou diversos manifestantes a favor de seu governo em Brasília, com direito a selfies. Veja como foi a participação de Bolsonaro: http://bit.ly/2vl3pmG
Outra rotina que está sendo alterada com a pandemia é a do trabalho. Cresce o número de empresas que oferecem ao funcionário a flexibilidade para trabalhar em casa a fim de evitar o risco de contaminação ou para tomar conta dos filhos – que ficaram sem aula com o fechamento das escolas. Mas e se o teu chefe não libera o home office? E se você contrair o coronavírus no ambiente de trabalho? O 6 Minutos conversou com advogados trabalhistas para esclarecer o que fazer em cada caso: http://bit.ly/33lk0U0
Para não falar só de coronavírus: aumentam no mercado as opções da chamada conta remunerada, recomendada para quem acaba deixando o dinheiro parado por alguns dias ou até o mês inteiro. Bancos tradicionais costumavam oferecer um rendimento bem abaixo do CDI, que segue a taxa básica de juros. Mas hoje existem alternativas que remuneram o equivalente a 100% do CDI. A questão é que existem “detalhes” que podem custar caro. Saiba como avaliar se a conta vale para você: http://bit.ly/2w9juML