Todo Carnaval tem seu fim

À primeira vista, o Carnaval de 2020 foi duplamente aproveitado no Brasil. Além dos milhões de foliões que injetaram R$ 8 bilhões na economia, segundo estimativa da CNC (Confederação Nacional do Comércio), o fechamento do Ibovespa deixou Bolsa brasileira fora de dois dias de perdas generalizadas nos mercados de ações pelo mundo. Enquanto fazíamos festa, o medo de o coronavírus se tornar uma pandemia foi um enredo campeão (e sombrio) nas passarelas globais. Mas como dizia um antigo refrão de torcidas de futebol: “Brasil, pode esperar/A sua hora vai chegar”.
 
Isso deve acontecer a partir das 13h de hoje, quando o pregão do Ibovespa for aberto nessa Quarta-Feira de Cinzas. É esperado que essa onda de ajustes negativos cobre seu preço dos dois dias acumulados de hemorragia financeira e forte aversão ao risco dos mercados globais em razão da força da onda pessimista em relação à doença. Não há como mensurar o tamanho do tombo antes dele acontecer.
 
O principal ETF (fundo de índice de ações) brasileiro negociado em Nova York, chamado EWZ iShares MSCI Brazil Capped, que tem as ações de maior peso no Ibovespa, acumulou queda de 6,33% no recesso de dois dias da Bolsa. As empresas que fazem parte do S&P 500 perderam o equivalente a US$ 1,7 trilhão em valor de mercado em apenas dois dias, em razão do temor cada vez mais real de que o coronavírus vai causar um estrago grande não rapidamente recuperável nas maiores economias globais, reduzindo os ganhos das companhias.
 
Nos EUA, foram dois pregões seguidos com os dois principais índices do país – o Dow Jones e o S&P 500 — registrando perdas superiores a 3% em cada dia. O primeiro registrou a maior perda da história em pontos em dois pregões: mais de 1.900 pontos. A correção em relação ao pico de 12 de fevereiro se aproxima dos 10%.
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Os alertas institucionais já não bastam para amainar o caldo de desconfiança em relação ao alcance da doença. Aqui no Brasil, depois de descartar todos os casos que investigou nas últimas semanas, o ministério da Saúde anunciou na noite de ontem que tem oficialmente uma suspeita, de um homem em São Paulo que esteve recentemente na Itália, país europeu com o maior número de infecções pelo coronavírus. Segundo os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, esse é o primeiro caso confirmado da doença em um brasileiro. 

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) fez um comunicado em que pede que os americanos “comecem a se preparar” para a disseminação do coronavírus no país. Já Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde, que é vinculada às Nações Unidas), descartou uma pandemia na segunda. “No momento, não vemos avanço global incontido do vírus e não vemos mortes em alta escala. O vírus tem potencial pandêmico? Com certeza. Estamos lá? Achamos que ainda não”.
 
Pelo que se viu nos últimos dias, o mundo torce para que Ghebreyesus esteja certo, mas não parece acreditar muito nessa possibilidade. Será esta quarta mais um dia de desesperança em relação ao coronavírus?
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Duas mudanças estruturais eram consideradas indispensáveis para conter o gasto público do Estado brasileiro e destravar o investimento estrangeiro. A primeira foi a PEC do Teto, aprovada em 2016, ainda no governo Michel Temer. A segunda era a reforma da Previdência, que entrou em vigor no último trimestre do ano passado. No entanto, com as duas medidas valendo simultaneamente desde outubro de 2019, o fluxo de dinheiro do exterior não veio na intensidade que muitos previam. No mercado de ações e na renda fixa, pelo contrário, há mais saídas do que entradas. 

Os motivos da fuga? Segundo especialistas ouvidos pelo 6 Minutos, esse investidor ainda não está vendo o Brasil crescer. A combinação de economia enfraquecida, baixa atratividade dos investimentos e câmbio volátil deixa o país longe de ser o destino dos sonhos para receber dinheiro de fora. “O investidor vai esperar um pouco até que o efeito positivo aconteça no longo prazo, daqui a uns cinco, seis anos”, afirma Luiz Afonso Lima, economista da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica). “Do investimento que tem sido feito, a maior parte é em negócios já existentes, e não em novos projetos”. Para entender o cenário em profundidade, confira nosso especial: https://bit.ly/2PpsqUS.
Um dos analistas que o 6 Minutos consultou para mostrar porque o investimento estrangeiro ainda não encheu as comportas brasileiras como era esperado é Edward Kuczma, gerente de portfólio para o mercado de ações na América Latina da Black Rock, a maior gestora do mundo, com cerca de US$ 7 trilhões de ativos sob sua administração. Em uma conversa com a repórter Sara Abdo, Kuczma falou um pouco mais sobre as perspectivas econômicas da região e deu uma explicação sobre o momento atual de muita força do dólar, que deixa não apenas o real desvalorizado, mas praticamente todas as moedas emergentes.

“Os juros na Europa estão negativos há meses e isso deixa o dólar mais forte diante de todas as outras moedas. Mas ele não ficará muito mais forte, o que deve ajudar na estabilidade do real”, explica o gestor da Black Rock. “Agora, o cenário interno no Brasil importa: o crescimento da economia, a inflação e as taxas de juros são variáveis importantes para a valorização e a estabilidade do real, que também se beneficiará da redução da inadimplência e da aprovação das reformas”. https://bit.ly/2VmIPgw
As fintechs – startups de serviços financeiros – levantaram um menor volume de investimentos no ano passado. Segundo relatório divulgado pela consultoria CB Insights nesta semana, o setor teve aportes de US$ 33,9 bilhões em 2019, em cerca de 1,9 mil rodadas. Na temporada anterior, tinham sido US$ 40,8 bilhões e 2,05 mil aportes diferentes.

Segundo o relatório, o setor de fintechs teve 24 novos unicórnios no ano passado – o apelido é dado às startups que são avaliadas no mercado em pelo menos US$ 1 bilhão. Duas empresas brasileiras foram citadas na lista de novidades: a startup de pagamentos Ebanx, de Curitiba, que foi o primeiro unicórnio do Sul do País, bem como o QuintoAndar, que faz intermediação de imóveis residenciais. Segundo o levantamento, o mercado global de fintechs tem 67 unicórnios – a outra brasileira da lista é o Nubank, avaliado em US$ 10 bilhões após ter recebido um aporte de US$ 400 milhões do fundo californiano TCV, em julho do ano passado. https://bit.ly/37WimZB
Os fundos de crédito privado, que investem em títulos de dívidas emitidos por empresas e que são considerados uma alternativa para apimentar a renda fixa, passaram por maus bocados no período entre outubro e novembro do ano passado. Essas aplicações enfrentaram uma forte queda na rentabilidade das debêntures (títulos de dívida de empresas negociados em Bolsa) durante um período de ajuste dos seus valores pelo mercado. De dezembro para cá, entretanto, o retorno das debêntures mais negociadas melhorou. A avaliação de especialistas é que dar uma chance a essas aplicações pode valer a pena, dependendo do perfil do investidor.

Há fundos de crédito para todos os bolsos. O mais importante é fazer uma seleção cuidadosa de bons fundos que atuam no segmento e entender bem o risco que se está tomando. Um alerta importante: o investimento direto em crédito privado é fortemente desaconselhado, já que são produtos altamente complexos e que não possuem cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). O FGC é o fundo privado que cobre algumas aplicações no valor de até R$ 250 mil em caso de quebra da instituição financeira. O 6 Minutos explica melhor o funcionamento desses fundos: https://bit.ly/3caIt2f.
A renovação de frota poderia dar um grande impulso ao setor de caminhões no país, mas para isso é preciso uma política de governo bem estruturada, diz Roberto Leoncini, vice-presidente da Mercedes-Benz. Segundo ele, o setor automobilístico tenta mostrar “há muito tempo” aos representantes eleitos a importância da medida para a cadeia produtiva.

“Toda vez que a indústria toca no assunto, vira vilã. É comum acharem que o objetivo é só vender mais. Não levam em consideração que um caminhão novo equivale a quatro de 20 anos. Ou seja, haveria redução de emissões e da frota”, afirma Leoncini. “Bastaria um aumento na fiscalização em relação a componentes de segurança como pneus, sistemas de iluminação, emissão e freios. Isso automaticamente daria início a um processo de renovação. Outra questão é a tributação. O caminhão novo paga mais imposto do que o velho. Aliás, depois de 15, 20 anos há até isenção de IPVA. Isso não faz sentido”. https://bit.ly/2HYZtdW
A pausa do Carnaval veio recheada de boas notícias para a Embraer, tanto para a divisão de aviação comercial (que está nos estágios finais da conclusão de um processo de fusão com a gigante norte-americana Boeing) quanto para seu braço militar. A primeira foi animada pela decisão da ExpressJet Airlines, que opera o serviço de aviação regional Express da gigante aérea United, de comprar 36 unidades do ERJ145, jato regional de 50 assentos da empresa brasileira. https://bit.ly/2PozeBM

A segunda viu o ministro da Defesa de Portugal declarar que está disposto a ajudar a vender o cargueiro C-390 Millenium para países que integram a aliança Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), um mercado enorme que vai dos EUA à Turquia, por exemplo. Parte das peças do modelo é produzida em duas fábricas sediadas em Portugal. Além disso, engenheiros portugueses participaram do desenvolvimento do modelo. https://bit.ly/3a34uhO