Quer cortar quanto do seu salário?

Ninguém que ter seu salário reduzido. Mas o plano emergencial do governo para preservar empregos durante a pandemia do coronavírus prevê justamente isso: a possibilidade de as empresas reduzirem salários de seus funcionários em 25%, 50% ou 70%. Nesse caso, a jornada de trabalho será reduzida na mesma proporção. A compensação de salários será parcial: 25%, 50% ou 70% do seguro-desemprego. Só que como o valor máximo do seguro-desemprego é de R$ 1.813, os salários maiores serão os mais afetados.

A pedido do 6 Minutos, Clemente Ganz Lucio, técnico do Dieese, simulou como será a mordida no contracheque do trabalhador: nos exemplos analisados, levando em conta uma redução de 25%, a perda final varia de 6,5% (salário de R$ 2.000) a 20% (renda de R$ 10.000).

As más notícias não se restringem à redução de salários. A medida provisória do governo também permitirá a suspensão dos contratos de trabalho por até dois meses. Nesse caso, os salários são suspensos e o trabalhador recebe uma compensação de até 100% do seguro desemprego. Novamente haverá perda de renda, já que o seguro-desemprego está limitado a R$ 1.813.

Sindicalistas e especialistas conseguiram enxergar algum ganho na MP em relação à versão apresentada na semana passada e revogada poucas horas depois. É que as reduções e suspensões só poderão ser negociadas individualmente com trabalhadores que ganham até três salários mínimos (R$ 3.117) ou mais de dois tetos do INSS (R$ 12.202). Para todos os outros casos precisará haver negociação coletiva com o sindicato. “A esperança é que o acordo coletivo consiga melhorar o percentual de reposição salarial”, diz Lúcio.

A justificativa do governo é que essas medidas fazem parte de um plano para salvar 8,5 milhões de empregos que podem ser eliminados se nada for feito para reduzir o custo da folha de pagamento das empresas prejudicadas pelas medidas de contenção da pandemia. Quer saber mais? Leia aqui: https://bit.ly/343cb5F
 
Um pingo de alívio pelo menos para quem não começou a preencher a declaração do Imposto de Renda. O governo adiou de 30 de abril para 30 de junho o prazo final para entrega da declaração. A mudança no cronograma não acontecia desde 1996. A Receita Federal entendeu que apesar do ritmo de entrega estar dentro da média histórica, os contribuintes têm enfrentado dificuldades para reunir documentos ou buscar ajuda especializada durante o confinamento.
 
A Receita anunciou ainda mais duas medidas tributárias: a desoneração do IOF sobre operações de crédito e o adiamento do recolhimento do PIS/Cofins e da contribuição patronal para a Previdência. A desoneração será válida por 90 dias e tem o objetivo de reduzir o custo das operações de crédito. Já o diferimento do recolhimento do PIS/Pasep e contribuição patronal tem o objetivo de trazer um pouco de alívio ao caixa das empresas. Saiba mais sobre essas medidas: https://bit.ly/2USHsnU
 
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Após pressão da sociedade, o presidente Jair Bolsonaro finalmente sancionou o projeto de lei que garante uma ajuda de R$ 600 para trabalhadores informais e R$ 1.200 para mães responsáveis pelo sustento das suas famílias. Houve três vetos, ainda não revelados.

Já o Senado ampliou o alcance da ajuda emergencial, estendendo o pagamento  do coronavoucher de R$ 600 a homens chefes de família e mães adolescentes. Saiba mais: https://bit.ly/2JvpRgt
 
Não basta a dificuldade para encontrar o produto no supermercado. Agora, os consumidores estão pagando muito mais caro por produtos básicos, como o leite longa vida. Uma caixa de 1 litro, que antes saía por R$ 2,79, agora é vendida por R$ 3,79. O aumento de R$ 1 pode parecer pouco, mas representa um avanço de 35% em curtíssimo espaço de tempo. É muita coisa, ainda mais se levar em conta que as famílias consomem muitos litros de leite por mês.

6 Minutos conversou com especialistas para entender o que está acontecendo. Os supermercados culpam a indústria e fizeram uma denúncia à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) por prática de preços abusivos. O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da USP diz que o leite já sai mais caro do campo para a indústria de laticínios, pois a produção está estável apesar da demanda crescente. Quer entender o que mais pesa nessa conta? Saiba aqui: https://bit.ly/2xC0Du9
 
Alguém aí falou em Páscoa? Pois é, parece que a data está distante, mas não é bem assim: faltam apenas 10 dias para a celebração. Por conta da pandemia de coronavírus, as vendas de ovos de Páscoa encalharam nos supermercados e lojas especializadas, essas últimas agora fechadas. A explicação é que esse é o tipo de compra que acontece por impulso, ou seja, quando a pessoa vai ao supermercado ou passa em frente a uma loja. Mas em tempos de pandemia os consumidores estão mais preocupados em abastecer a dispensa de comida e produtos de higiene e limpeza.

Para driblar esse cenário, as marcas de chocolate estão investindo na venda online e entrega de ovos na casa do consumidor. Algumas, como a Kopenhagen, Brasil Cacau e Lindt, colocaram seus produtos em marketplaces. Também há campanhas nas redes sociais para esticar a Páscoa até junho. Quer saber mais sobre expectativa para a Páscoa? Leia aqui: https://bit.ly/2JtWTO0
 
É normal que a rotina de isolamento social traga à tona o pior e o melhor das pessoas. A recomendação dos especialistas para lidar com o estresse do confinamento é buscar um meio-termo equilibrado entre opostos – não ser tanto hiena Hardy (aquela do “Ó, céus, ó, vida, ó azar!”) nem a Pollyanna, que sempre vê o lado bom dos acontecimentos, mesmo os trágicos.

O psiquiatra e professor Roberto Aymler diz que estamos nos encaminhando para a terceira fase do confinamento – a mais perigosa para os relacionamentos. Depois do pânico inicial e da fase de esperança, agora as famílias começarão a sentir mais intensamente as dificuldades do convívio forçado. “É provável que muitos casamentos acabem nesse período, mas eu recomendaria que isso não fosse feito em um momento de crise.”

A School of Life Brasil fez uma lista de recomendações para lidar com a montanha-russa emocional, como escrever seus pensamentos. Veja outras dicas: https://bit.ly/2Jy9v6Q