O arsenal do governo

Para quem esperava – ou cobrava – a reação do governo ao avanço do coronavírus no Brasil e seus efeitos sobre a economia, a semana começou com um alento. As medidas anunciadas primeiramente pela manhã e, depois, no início da noite, buscam atacar alguns dos pontos mais sensíveis da economia diante da paralisia crescente dos negócios.

As medidas incluem melhores condições para que bancos possam renegociar as dívidas de empresas e consumidores. Os cinco maiores bancos do país concordaram em estender por 60 dias o vencimento de dívidas de quem estiver com o pagamento em dia; o governo adiou em 3 meses o recolhimento do FGTS de funcionários formais e reduziu pela metade a contribuição ao Sistema S; abriu linhas de crédito para pequenas e médias empresas; e antecipou o 13º salário de aposentados para abril e maio. O governo estima que as medidas possuam um impacto fiscal de R$ 147,3 bilhões.

Ainda assim, o plano certamente está longe do ideal. Não oferece amparo aos quase 40 milhões de trabalhadores na informalidade, por exemplo. Há pouca cobertura para pequenas e médias empresas. Mas a comparação com a reação do mundo desenvolvido e de outros emergentes mostra que não há um receituário único e consagrado. As medidas para a crise atual ainda estão sendo testadas e não há bala de prata. O fato é que o governo deu um primeiro passo. Veja o que mais foi anunciado: http://bit.ly/3a7Jk2F
Hoje começa a reunião do Copom para definir a taxa básica de juros, que está em 4,25% ao ano. Pode sair desse encontro uma nova arma do governo para estimular a economia. O anúncio sai, em tese, só amanhã, com expectativas de analistas que vão de uma redução de 0,25 ponto percentual para até 1 ponto a menos. A semana começou ontem com especulações de que o Banco Central poderia seguir o caminho do Fed e antecipar a decisão, o que acabou não acontecendo. Não foi a forma como agiram os bancos centrais de outros dois emergentes, o do Chile e o da Nova Zelândia, que cortaram os juros em reuniões extraordinárias na segunda: http://bit.ly/3d6TbHx
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O dólar disparou de vez na abertura da semana, com um salto de 5,16%, para R$ 5,06. Foi a primeira vez que encerrou um dia negociado acima de R$ 5. O impacto para a inflação ainda precisa ser mensurado, mas, para as empresas brasileiras com dívida em moeda estrangeira, o estrago é brutal. Em comparação com o fim do ano passado, quando a cotação estava em R$ 4,01, a dívida deu um salto de R$ 384 bilhões. A notícia fica ainda mais preocupante com a informação de que metade dessas companhias não faz hedge cambial, ou seja, não acerta contratos futuros para se proteger da alta do dólar. Saiba como isso afeta o setor produtivo brasileiro: http://bit.ly/38Xh8Ou
E o Ibovespa voltou a sofrer forte queda ontem, de 13,92%, aproximando-se novamente dos 70 mil pontos. Mais uma vez, as ações das duas companhias aéreas listadas na B3 estiveram entre as maiores perdas do dia. As ações da Azul caíram 36,87% e já acumulam queda de 73,2% neste ano; as da Gol perderam 28,02%, com desvalorização de 78,2% em 2020.

Representantes do setor negociam com o governo um pacote de socorro que pode incluir medidas como a suspensão provisória de tributos, a redução do preço do querosene de aviação e de taxas administrativas e linhas de crédito emergenciais. Não é um caso isolado. Nos Estados Unidos, a indústria do transporte aéreo pede mais de US$ 50 bilhões ao governo, mais de três vezes a ajuda recebida depois dos ataques terroristas do 11 de Setembro. O setor é um dos mais afetados com o coronavírus, por causa da restrição aos voos e a queda abrupta da demanda global. Uma consultoria estimou que muitas companhias podem ter que pedir recuperação judicial até maio se o quadro continuar a se deteriorar: http://bit.ly/38UnZbl

Enquanto isso, Gol, Latam e Azul seguem os passos de companhias estrangeiras e reduzem de forma drástica os voos internacionais e domésticos. As duas primeiras anunciaram diminuição de até 70% de sua capacidade de transportar passageiros, e a última, em ate 50%. A medida já começou a ser colocada em prática e será ampliada de forma gradual nas próximas semanas, na medida em que a demanda não reaja: http://bit.ly/38VYFBC 
Nos últimos dias, viralizaram em diversos países fotos e vídeos de prateleiras de supermercados vazias no espaço dedicado ao papel higiênico. Deu matéria até no The New York Times (em inglês: https://nyti.ms/2x6Buaz). Se você foi ao supermercado no Brasil, talvez tenha se deparado com esse cenário atípico. Mas saiba que existe um padrão de consumo nesse comportamento. É o que revela um levantamento da Nielsen, empresa especializada na análise de consumo, com a FecomercioSP. O aumento da demanda por alimentos não perecíveis e produtos de higiene e limpeza se enquadra no terceiro estágio de avanço da pandemia, em que o número de casos dentro de um país cresce rapidamente. Saiba o que vem por aí: http://bit.ly/2vuMDBO
Se bares e restaurantes estão entre os maiores prejudicados pela pandemia do coronavírus, as empresas de entrega de refeições se aproveitam da escalada no número de pedidos. Mas buscam se adaptar às recomendações médicas: Uber Eats e Rappi passaram a orientar entregadores a deixar a sacola com a refeição na porta ou na portaria de prédio dos clientes, tudo para evitar o contato pessoal e, assim, proteger os dois lados. Saiba mais sobre os negócios em tempos de coronavírus: http://bit.ly/2Wh4wyO