Não aperte o botão do pânico

Compra, vende, espera. Neste momento de terror e pânicos nos mercados –ontem as negociações da bolsa foram paralisadas duas vezes, e o Ibovespa despecou quase 15%– as recomendações ao investidor em ações são inúmeras, e muitas vezes conflitantes.

Afinal de contas, o que fazer em um momento de caos, em que ninguém sabe o que está acontecendo e muito menos os impactos futuros do coronavírus?

A resposta mais honesta é que não existe um comportamento padrão que corresponda à melhor estratégia neste momento. Mas é importante que o investidor lembre alguns conceitos básicos sobre as aplicações em renda variável.

Um deles é que uma ação é um pedaço de uma empresa e que os diferentes setores são afetados de forma distinta pelo avanço da infecção: os grupos de commodities, por exemplo, estão mais expostos que os focados no mercado interno, como os de educação, varejo e energia elétrica.

Outro ponto é que há ações mais sólidas que outras: o receio dos investidores é que diante de um cenário de receitas menores, algumas empresas deixem de ser capazes de pagar suas dívidas, o que as colocaria em crise financeira. Sob essa lógica, é importante observar o nível de endividamento das empresas negociadas na bolsa e o dinheiro em caixa.

Por fim, tenha em mente que comprar na alta e vender na baixa é sempre uma equação ruim, mas há quem não consiga viver a angústia de ver o patrimônio derretendo a cada dia. “Cada pessoa tem uma aceitação de risco diferente”, lembra Rafael Panonko, economista da corretora Toro Investimentos.
O fato é que você não está sozinho: ninguém sabe o tamanho do buraco e nem o tempo até a retomada.

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O caos dos mercados nos últimos dias distanciou a cotação nominal do dólar, que fechou o pregão de ontem a R$ 4,78, do valor pelo qual ele deveria estar sendo negociado para beneficiar o máximo possível todos os setores da economia ao mesmo tempo.

Cálculo feito pelo economista Andre Nassif, da UFF (Universidade Federal Fluminense), para o 6 Minutos mostra que essa taxa de câmbio “perfeita” para a economia, por assim dizer, seria de R$ 4,18.

Ou seja, o patamar atual está 14,3% acima do chamado câmbio de equilíbrio, que seria a taxa mais neutra possível para o comércio do Brasil com outros países e também para a produção no mercado interno.

Se interessou por esse assunto? Vai lá: http://bit.ly/38NXC6V
 
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O avanço do coronavírus levou o presidente Jair Bolsonaro a “desconvocar”, em live transmitida pelo Facebook na noite de ontem, seus apoiadores para a manifestação do próximo sábado contra o Congresso.

“Daqui a um mês, dois meses, se faz”, afirmou, vestindo uma máscara e lembrando o risco de transmissão do coronavírus em grandes aglomerações. O protesto foi cancelado pelos organizadores.
http://bit.ly/2TMxyoE
 
Aliás, uma das imagens mais compartilhadas ontem era a do secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, perto, bem perto, dos presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Jair Bolsonaro.

Diagnosticado com coronavírus, ele ganhou as manchetes (inclusive mundiais) pelo risco de ter transmitido a infecção aos dois mandatários. Trump negou qualquer preocupação, mas o brasileiro correu para fazer o exame: http://bit.ly/2U1pmQ3
 
A alta da moeda americana está levando muitos turistas brasileiros a repensarem suas viagens. Mas o que fazer se você já tem viagem marcada para o exterior? Cancelar tudo?

O que pode e o que não pode ser feito? Conversamos com gente que entende do assunto para resolver essas dúvidas. Uma dica é tentar trocar o destino internacional por outro, onde a moeda local é mais barata, como Chile e Argentina, ou por viagens nacionais.

Veja a reportagem que o 6 Minutos preparou sobre o assunto: http://bit.ly/2vmSusU
 
Parece não haver fundo do poço para as ações das companhias aéreas e empresas de turismo. No dia da maior queda do Ibovespa desde a crise da Rússia, em 1998, com duas paralisações das negociações no mesmo dia (circuit breaker), a Gol caiu 36%; a Azul, 32% e a CVC, 29%.
Latam e Azul anunciaram um corte de até 30% na capacidade de voos internacionais: http://bit.ly/2wWRPP1
 
A IRB Brasil sofreu duplamente: além do coronavírus, a Polícia Federal fez buscas ontem no escritório da resseguradora, acusada de manipulação da contabilidade dos seus resultados: http://bit.ly/2IHtsHN
 
A bolsa brasileira só não foi para o terceiro circuit breaker porque o Fed, o banco central americano, anunciou uma injeção de US$ 1,5 trilhão no sistema financeiro. http://bit.ly/2IJhUnq