Não a qualquer custo

Qual o custo para salvar o mundo da pandemia do coronavírus? É uma conta que inclui salvar milhares de vidas dos contaminados mas também de milhões de pessoas que podem perder o emprego e ficar à revelia da própria sorte com a paralisia dos negócios. O valor total ninguém sabe, mas não se pode dizer que governos mundo afora não estão tentando medidas inéditas.

Às vezes avançando demais sobre os direitos dos trabalhadores. Foi o que aconteceu com a medida provisória do governo Bolsonaro que autorizava a suspensão do contrato de trabalho de profissionais por até quatro meses sem direito a salário nem garantia de seguro-desemprego. Alvo de duras críticas da sociedade civil e de políticos, o artigo que previa a exceção no regime trabalhista durou menos de 24 horas e foi revogado pelo presidente. O ministro Paulo Guedes disse que houve um erro de redação. O fato é que se estabeleceu aí um limite para o que pode ser feito. Perdeu o vaivém da MP anticrise do governo? Nós explicamos: https://bit.ly/2WDgnHS
O custo de socorrer a população e os pequenos negócios americanos tampouco significa passar um cheque em branco para as grandes empresas americanas. Foi o que sustentaram senadores democratas que, pelo segundo dia, se recusaram a aprovar o plano de resgate de US$ 1,8 trilhão proposto pelo presidente Donald Trump para estimular a economia diante do choque causado pelo coronavírus. Desse montante, US$ 500 bilhões serão destinados a resgatar grandes empresas em dificuldade. Democratas querem mais exigências e maior transparência na escolha dos beneficiados. Republicanos, por sua vez, acusaram os rivais de transformarem um tema de emergência nacional em disputa partidária. Entenda a disputa: https://bit.ly/3aff7i4

Nos últimos dias, crescem os alertas sobre o custo econômico e humano da suspensão por tempo indeterminado da atividade econômica. O presidente americano, Donald Trump, escreveu no Twitter no domingo à noite uma frase que começa a ser repetida como um mantra em Washington e entre alguns economistas liberais: “Não podemos deixar a cura ser pior do que o próprio problema.” Segundo a imprensa americana, Trump cogita levantar algumas das restrições sobre a economia, incluindo o fechamento de escolas e escritórios, ao fim desta semana, quando terá completado o período inicial de 15 dias de contenção social. Saiba mais: https://bit.ly/3agpcuX
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Apesar da revogação do artigo que tratava da suspensão do contrato de trabalho, a medida provisória do governo prevê alteração em temas importantes da vida do empregado: no caso do trabalho remoto na casa do funcionário, por exemplo, o uso de aplicativos como WhatsApp não deverá ser contabilizado como parte do expediente. As férias, por sua vez, poderão ser antecipadas antes que o chamado período aquisitivo esteja completo. Veja outras alterações previstas na medida: https://bit.ly/2xg3atZ
Se as medidas lançadas pelo Executivo em Brasília e em Washington não foram bem recebidas, o mesmo não se pode dizer das ações igualmente inéditas anunciadas pelos bancos centrais dos dois países. O BC brasileiro, sob o comando de Roberto Campos Neto, lançou medidas em diferentes frentes para ampliar a liquidez no sistema financeiro em R$ 1,2 trilhão e permitir que bancos tenham condições de renegociar a dívida de empresas em dificuldade; já o Fed disse que vai gastar “o que for necessário” para sustentar a economia, o que inclui medidas inéditas para estimular o crédito para pequenas empresas e famílias. O tamanho dos dois programas foi elogiado por analistas. Entenda as medidas do BC: https://bit.ly/2Jc5rZP
O ministro Paulo Guedes disse ontem que o governo vai encaminhar uma nova medida provisória que vai prever a redução da jornada e do salário em até 50%, como havia sido anunciado na semana passada sem tanta contestação. É uma medida mais do que aguardada pelo setor privado. Nas palavras do presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Alfredo Cotait Neto, a contrapartida para aliviar as despesas das empresas é fundamental para que consigam sobreviver. “As empresas não vão conseguir se sustentar por muito tempo. A maioria está desesperada, não sabe se demite, se aguarda, não têm caixa para aguentar muito tempo assim”, disse Cotait. Veja o que mais disse o empresário sobre a crise: https://bit.ly/39eCyH5
Um dos efeitos mais visíveis da tensão das pessoas com a pandemia do coronavírus e o confinamento dentro de casa é a mudança dos hábitos de consumo. Tem gente que compra mais bebida, outras que priorizam alimentos, enquanto muitos elegeram o papel higiênico como a tábua da salvação. Especialistas do setor e estudiosos do comportamento humano respondem que não há motivo para desespero. Saiba mais: https://bit.ly/2xYO4ZX
Os tempos de confinamento trouxeram à tona um sentimento que parecia esquecido, o da ação coletiva. Mas, junto com ela, veio também a censura a quem desrespeita as recomendações para ficar em casa – as hashtags #ficaemcasa e #stayhome passaram a figurar entre as mais utilizadas nas redes sociais, como o Instagram. Nos Estados Unidos, a censura gerou acusações envolvendo os millennials, como são chamadas as pessoas que completam de 24 a 39 anos em 2020 (segundo um dos critérios), e a Geração Z (até 23 anos), sobre quem desrespeita mais o confinamento. A história saiu na Business Insider (em inglês): https://bit.ly/2QVKwyz