Mais que palavras, dinheiro na mão

No front econômico da batalha do Brasil contra o coronavírus, a grande dificuldade é fazer com que os recursos em potencial das medidas governamentais se transformarem em dinheiro vivo nas mãos de quem movimenta a economia. 

Durante o fim de semana, alguns agentes do governo Bolsonaro usaram um vocabulário mais duro. Paulo Guedes, ministro da Economia, reconhece que o R$ 1,2 trilhão liberado pelo Banco Central para ajudar a economia brasileira a passar pela pandemia está “empoçado” no sistema financeiro. Ele sabe que seu principal desafio é levar todo o dinheiro previsto nas medidas de estímulo às duas pontas que realmente importam: empresas e famílias

Roberto Campos Neto, presidente do BC, foi ainda mais longe do que Guedes e afirmou que os bancos brasileiros estão “com medo” de repassar às empresas o crédito concedido pelas iniciativas do BC nesses tempos de crise. No entanto, Campos Neto garantiu que o BC vai fazer uma fiscalização “grande” sobre os recursos que liberou às instituições financeiras: “Temos que dar resposta sobre quanto entrou em cada setor. Queremos construir uma estatística que seja transparente sobre o que estamos fazendo”.

Sobre o crédito à pessoa física, Guedes se mostrou animado com alcance que ele terá. “Pode ser um mendigo. Nós vamos abrir conta digital e ele vai aprender o caminho. A gente ensina como tirar o dinheiro”, disse o ministro. “Mesmo o mais simples brasileiro pode ser ajudado. Não vamos deixar ninguém para trás do ponto de vista de acesso à renda básica, durante esse período”.

No discurso, quem comanda a política econômica deu mostras inequívocas de que o dinheiro precisa chegar. Mas eles podem e devem fazer mais. Nesta segunda-feira, começa mais uma semana sob o jugo da pandemia. Mais uma chance para que finalmente essa urgência nas manifestações se transforme em dinheiro para quem está vulnerável: do informal que se vê sem renda ao empresário que luta para manter os empregos que fornece.
Empresas de vários setores já sentem a deterioração das linhas de crédito, com alta de juros, reduções de prazos e limites de empréstimos no mercado em razão dos impactos da crise do coronavírus sobre a economia brasileira. 

“O mercado subiu bastante o preço, e alguns bancos pararam de liberar caixa”, afirmou Peter Furukawa, presidente da Quero Quero, maior varejista do Rio Grande do Sul. O executivo mencionou que antes da crise era possível captar recursos a uma taxa de CDI + 0,9% ao ano, enquanto, hoje, essas mesmas linhas subiram para CDI + 3,5% ao ano.

Diogo Bassi, diretor financeiro da Petz, que atua no setor de produtos e cuidados para animais de estimação, conta que até o início do ano, era fácil obter financiamento com carência para início da amortização, mas esse prazo foi reduzido com a pandemia. “Nós já tínhamos o caixa alto, mas buscamos aumentar. E isso está ligado também aos fornecedores”, explicou Bassi, referindo-se à necessidade de dar prioridade a pagamentos a parceiros comerciais de pequeno e médio portes, que têm menos fôlego financeiro. https://bit.ly/3aN7IXr
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A paralisação de atividades de serviços por conta do coronavírus atingiu também o ensino superior. Faculdades e universidades tiveram que fechar as portas para os alunos de graduação, mas, diferentemente de segmentos que agora lutam pela sobrevivência, algumas instituições conseguiram não só evitar demissões como mantiveram as atividades. A explicação passa pela decisão do MEC (Ministério da Educação) de autorizar, em caráter excepcional e provisório, por causa da pandemia, que aulas presenciais fossem substituídas por conteúdo à distância. Com esse aval, instituições que já faziam uso recorrente de plataformas virtuais para transmitir conteúdo aos alunos dentro dos limites então vigentes puderam ampliar a participação desse modelo de ensino.

Esse o caso da Kroton, a divisão de ensino superior da Cogna, o maior grupo de educação no país — são 822 mil alunos em cursos presenciais e à distância de graduação. A Kroton suspendeu as aulas presenciais para cerca de 330 mil estudantes em todo o país — são quase 176 unidades próprias — há duas semanas, no último dia 16. Mas decidiu manter as atividades. “Estamos a todo vapor, professores, tutores, diretores. A diferença é que todo mundo trabalha agora de maneira remota, de casa”, disse ao 6 MinutosMarcos Lemos, vice-presidente acadêmico da Kroton. https://bit.ly/2JJnZRg
O coronavírus obrigou várias empresas a liberar o sistema de home office para a maior parte de seus funcionários da noite para o dia. Só que nada foi planejado: colaboradores foram avisados de que começariam a trabalhar de casa dali a alguns dias em uma tentativa de conter a pandemia. O 6 Minutos falou com Ignacio García, antropólogo digital e CEO da Tree Intelligence, sobre o que ele chama de “o maior experimento de trabalho remoto não planejado e forçado já colocado em ação”. Para Garcia, há algumas questões e lições que esse momento excepcional pode nos ajudar a aprender.

– Será que todos nós precisamos trabalhar presencialmente em todos os momentos?

– Como dividimos o tempo do trabalho e o tempo do ócio quando não há mais “fronteiras físicas” que os separem?

– Se não é preciso estar fisicamente no mesmo ambiente para produzir, a expressão corporal fará falta?

– Com mais tempo e repetição da rotina fora do escritório, será possível saber quais funções funcionam bem no trabalho remoto. https://bit.ly/34dJwuK
Em meio à crise do coronavírus, parte dos investidores que deram um passo à frente e colocaram dinheiro em fundos de investimento multimercado para fugir da baixa rentabilidade da renda fixa estão recuando da decisão. Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que essa categoria de fundos, que investem parte dos seus recursos em renda fixa, parte em ações, registrou saída de R$ 5,5 bilhões em março. Desde novembro do ano passado a captação desses fundos não ficava negativa. 

Apesar da redução em relação a meses anteriores, a captação desse tipo de fundo continua positiva. Em março, os aportes superaram os resgates em R$ 7,6 bilhões, o menor valor desde julho do ano passado, mas ainda no azul. “Tem gente que vê a situação atual como uma crise, tem gente que vê oportunidade. Alguns investidores estão apostando em um mercado em recuperação lá na frente”, avalia Vinicius Soares, diretor de produto da gestora de investimentos digitais Monetus. “Os fundos que investem em crédito privado tombaram com força em março por causa da crise” https://bit.ly/3dX0NwT
A pandemia de coronavírus está obrigado empresas a se reinventarem para continuar existindo. É uma questão de sobrevivência: quem não se adaptar a um mundo de portas fechadas corre o risco de quebrar. Para não entrar nessa estatística, a Ri Happy, maior rede varejista de brinquedos do país, decidiu convocar seu exército de funcionários para se tornarem revendedores da marca.

Podem se candidatar ao posto qualquer um dos 4.000 colaboradores de todas as áreas, desde a loja, sede, SAC, centro de distribuição e até mesmo da diretoria. Na visão da empresa, é um movimento que traz ganhos para as duas pontas: o colaborador vai receber uma comissão por cada venda realizada e a empresa tem a chance de garantir alguma receita em um momento difícil, em que sofreu com o fechamento das 280 lojas físicas em meados de março. https://bit.ly/34aMDDZ
O coronavírus provocou um efeito colateral para quem se viu obrigado a cozinhar: os preços dispararam na mesma velocidade com que as pessoas correram aos supermercados para estocar produtos. Para driblar mais essa dificuldade, o 6 Minutos conversou com Michelle Bedolini, especialista em nutrição do Sesi-SP, para saber como aproveitar o você já tem em casa e fazer comida gostosa e saudável sem sair no prejuízo. Confira algumas das dicas:
– O que você quer está muito caro ou sumiu das gôndolas? Faça substituições.
– Compre as frutas e legumes da estação.
– Organize o cardápio pensando na semana toda para otimizar as compras.
– Evite o desperdício aproveitando partes geralmente descartadas, como talos e folhas do brócolis, couve flor e beterraba, para incrementar o arroz do dia a dia. https://bit.ly/39RAjtD