De ponta cabeça

Dólar, juros, PIB. Não importa o indicador, o fato é que o coronavírus, até agora inabalável, vem bagunçando todas as projeções que vinham sendo feitas por analistas para a economia brasileira até a semana passada.

O último Focus, pesquisa semanal do Banco Central com economistas, esperava um dólar a R$ 4,20 no final do ano. Detalhe, a pesquisa foi feita na última sexta-feira. Ainda pode acontecer, mas parecia improvável para quem assistia ontem a cotação escalar para R$ 4,65, a despeito de três intervenções do BC no câmbio.

Há uma semana, também se acreditava em um PIB (Produto Interno Bruto) subindo 2,17%, mas a maioria do mercado está rebaixando suas projeções para menos de 2%.    

Por fim, a expectativa de uma taxa básica (Selic) a 4,25% em dezembro, como indicava o BC até então, também se desfez, com muitos analistas apostando em cortes de 0,25 ponto, 0,5 ponto e até 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, como forma de estimular a economia.

Um exercício mostra o que pode vir por aí: cálculo feito pela Infinity Asset Management mostra que uma queda de 0,5 ponto levaria a taxa de juros real da economia (ou seja, descontada a inflação) para apenas 0,41% ao ano.

Uma Selic real mais próxima de zero tende a estimular investimentos e consumo, mas a dúvida é se a queda chegará com força na ponta e se será suficiente para derrotar os efeitos do coronavírus.

Quer se aprofundar nesse assunto? Vai lá: http://bit.ly/2TGBiqb
 
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Também por causa do surto, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, derreteu 4,65% no pregão de ontem, a 102.233 pontos. No acumulado do ano, a queda já chega a quase 12%.

O desempenho da B3 também está sendo revisado pelo mercado: a XP, maior corretora entre as que não são controladas por um banco do país, reduziu de 140 mil para 132 mil pontos a estimativa para o Ibovespa até o final de 2020: http://bit.ly/2PPZi98
 
Mesmo sem necessidade, muita gente tem buscado fazer o teste para detecção do coronavírus. O exame está sendo oferecido por laboratórios particulares, apenas nas unidades que ficam dentro de hospitais. As empresas relatam um aumento de até 70% na busca pelo teste. Para o paciente, basta ter um pedido médico e fazer o pagamento do exame, cujos preços vão de R$ 180 a R$ 350.

Por causa da perspectiva de novas receitas com a realização de exames, as ações de laboratórios têm ido bem na bolsa de valores. Desde que o primeiro caso da doença foi registrado, os papeis da Dasa (dona das marcas Delboni e Fleury) subiram quase 6%, e as do Fleury 1,3%. No mesmo período, o Ibovespa amarga uma baixa de 8,43%.

Para conferir os efeitos do coronavírus nas ações das empresas do setor de saúde, leia aqui: http://bit.ly/2vyi0vq
 
Quanto mais alto o cargo, menor é a presença de mulheres no comando, e quando se fala de Brasil, essa regra da desigualdade vale ainda mais. No mundo, só 4,4% das vagas de CEO são ocupadas por mulheres, segundo o estudo Mulheres nos Conselhos, realizado pela Deloitte. Entre as brasileiras, esse percentual é menor ainda: apenas 0,8%.

A discrepância vai além da participação nas vagas de comando. Mesmo em postos iguais, as mulheres ganham menos – até mesmo as CEOs. De acordo com a pesquisa de remuneração total da Mercer, o valor dos salários de homens e mulheres permanece mais ou menos igual até o nível gerencial. A diferença começa a aparecer a partir das posições de diretoria. Em cargos de presidente, as mulheres ganham 60% do valor pago aos homens.

Leia mais: http://bit.ly/2Ioj33S
 
Muita gente vem percebendo a vantagem de vender sobras de viagem do dólar, que se valorizou mais de seis vezes o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, que serve de referência para a renda fixa) de agosto para cá.

Segundo a plataforma Melhorcambio.com, a compra da divisa de pessoas físicas por corretoras de câmbio totalizou R$ 172 milhões nos últimos sete meses, alta de 30%. O montante negociado se concentrou em fevereiro, com R$ 36 milhões comprados.

Quer saber mais? Vai lá: http://bit.ly/3aHG4ef
 
A conta do prejuízo com o coronavírus para as companhias aéreas ficará entre US$ 63 bilhões e US$ 113 bilhões neste ano, segundo a Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos).

O executivo-chefe da entidade, Alexandre de Juniac, propôs que os governos considerem a possibilidade de isentar as empresas aéreas de impostos e outras taxas. “Tratam-se de tempos extraordinários”, argumentou: http://bit.ly/2wxppuS