Com que PIB eu vou?

Antes mesmo de conhecermos qual foi exatamente o PIB de 2019, é possível fazer duas afirmações sem medo de errar: ele terá registrado o terceiro ano de crescimento consecutivo, após a alta de 1,3% tanto em 2018 como em 2017; e essa subida está aquém do que se esperava e, principalmente, do que o Brasil precisa.

Apesar disso, os números que o IBGE divulga hoje a partir das 9h não podem ser lidos isoladamente. Há tanto sinais de que a recuperação da economia tem alguma estrutura quanto aqueles que mostram que será muito difícil alcançar o tipo de impulso necessário para o Brasil deslanchar. 

Entre os primeiros sinais estão os dados sobre o emprego de janeiro, que mostraram aumento no número de vagas formais, diminuição da informalidade e queda na taxa de desemprego. A nova Previdência foi concluída em outubro do ano passado. No começo de fevereiro, o Banco Central cortou a taxa Selic pela quinta vez consecutiva, para 4,25% ao ano, o menor juro básico da nossa história. A B3, a bolsa brasileira, prevê que quase 30 empresas farão sua estreia no Ibovespa em 2020, naquele que deve ser o melhor ano desde 2007.

No grupo dos últimos sinais, a crise do coronavírus é a face mais visível da dificuldade que será fazer a economia brasileira crescer neste ano. Desde o começo de 2020, a doença surgida na China já era uma das razões que diminuíram a tolerância do investidor a tomar riscos, o que fez o real perder bastante valor em relação ao dólar.

A decisão do Fed cortar a taxa de juros em 0,5 ponto percentual em caráter de urgência pela primeira vez desde a crise de 2008, uma tentativa inequívoca de estimular a economia americana contra os efeitos do novo vírus, dá a dimensão da gravidade do problema.
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As turbulências causadas pelo coronavírus são preocupantes e vão sim afetar o país, mas que os brasileiros não se iludam. Economistas alertam que os desafios internos terão mais peso para o crescimento em 2020 (e nos próximos anos) do que os fatores externos. 

“O contexto internacional ajuda a jogar para baixo as projeções, mas isso é no curto prazo”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados. Para ele, o Brasil precisa é se acertar na corrida de longo prazo, buscando ganho de produtividade e aprovando uma agenda consistente de reformas. “Se os processos das reformas não caminham, o setor privado perde confiança e novas decisões de contratação de pessoal, inovações e investimentos são postergadas”.

André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton, diz que esse ganho de produtividade que vira motor para o crescimento só chegará a um nível transformador quando o mercado de trabalho formar profissionais mais qualificados, algo que passa pelo investimento estrutural em educação, um caminho que não é trilhado no Brasil. https://bit.ly/2x34iRj
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A complexidade da crise do coronavírus pode ser vista nas reações provocadas pela decisão emergencial do Fed em cortar os juros americanos, uma medida que visa estimular a economia do país. Logo após a decisão, as principais bolsas dos EUA registraram uma forte alta, sinalizando que o mercado havia gostado da atitude do Fed. No entanto, o fechamento mostrou uma queda generalizada. O Dow Jones recuou 2,94%, enquanto o S&P 500 perdeu 2,81% e a Nasdaq caiu 2,99%. Acompanhando o movimento, o índice Ibovespa também registrou baixa e fechou com queda de 1,02%.

O que explica essa mudança de humor tão brusca e a reação negativa a uma medida de estímulo à economia, que geralmente é bem recebida pelos mercados? Para economistas ouvidos pelo 6 Minutos, o problema não é o fato de o Fed reagir ao provável impacto da epidemia na economia global, mas sim o que está embutido na mensagem: a autoridade monetária americana está preocupada com a doença. “O corte pode significar que há algo maior na matriz de riscos e que, mesmo com o movimento, é possível observar maiores movimentos de desaceleração global”, avalia Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos. https://bit.ly/3aBmobV
O clima de incerteza no mercado contaminou até mesmo os títulos do Tesouro Direto, considerados os mais seguros do mercado. A verdade é que os dois últimos meses mostraram que segurança e estabilidade não são sinônimos, nesse caso. Apesar de fazerem parte da categoria de renda fixa, os preços dos títulos estão registrando grande volatilidade desde o início do ano. Do começo de 2019 até agora, há indicadores de piora em alguns indicadores econômicos. 

Em janeiro, a escalada do dólar já havia sido responsável pela desvalorização dos títulos atrelados à inflação, pelo efeito negativo que a moeda americana causa nos preços dos produtos. Em fevereiro, além do dólar (que disparou com mais força) outros fatores negativos entraram na conta. O primeiro é o coronavírus, que começou a assustar os investidores do mundo todo, puxando a bolsa e os mercados externos para baixo. Ainda não é possível saber a extensão dos efeitos negativos sobre as empresas e até sobre os governos — isso aumenta o risco futuro, o que afeta o preço dos títulos. https://bit.ly/2Ijd93W
E o onipresente coronavírus tem mostrado que sua influência em afetar a economia acontece até nos casos mais impensáveis. Vejam só esse caso: em meio ao maremoto que engoliu a maioria dos papeis de empresas negociadas nas principais bolsas americanas desde a semana passada, chamou a atenção o fato de uma ação específica ter mantido a cabeça fora d’água.

Entre 17 de fevereiro e 2 de março, a Netflix se valorizou 0,17%, na contramão de uma queda de mais de 8% dos principais índices dos EUA no período. A razão da alta é curiosa: o mercado acredita que a plataforma de streaming irá se beneficiar caso muitas pessoas ao redor do planeta tenham de ficar em casa, em isolamento, em razão do aumento dos casos da doença. https://bit.ly/2IhQ8hS
No balanço que fez do setor da construção civil em 2019, a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) registrou que os financiamentos feitos com recursos do FGTS encolheram 10%. Segundo a entidade, a queda aconteceu por conta do encolhimento do programa MCMV (Minha Casa Minha Vida), que cede o crédito para a habitação de baixa renda. “Nas regiões metropolitanas, a participação do MCMV nas vendas caiu de 50% para 45% do total”, afirmou o presidente da CBIC, José Carlos Martins. “O orçamento do FGTS para o programa foi reduzido e neste ano, 2020, será menor ainda”.

Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), disse que as últimas políticas de liberação do saldo das contas do FGTS aos trabalhadores reduziram a liquidez do Fundo e amarraram os orçamentos anuais. Na avaliação da entidade que representa o setor, caso o governo não reformule o MCMV, a tendência é que o programa continue diminuindo. As construtoras, que viram a fonte de recursos do FGTS secando, estão fazendo uma correção de rota. Muitas delas já voltaram o foco para projetos de moradia para a classe média, que tendem a ser mais financiados com recursos da poupança. https://bit.ly/2TtAFQE
A forma mais clara de medir a desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres no mercado de trabalho é por meio dos salários. Infelizmente, a conta não é favorável para as mulheres quando se olha para esse dado. Pesquisa divulgada ontem pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostra que mulheres ganham, em média, 22% menos que os homens. O rendimento médio das mulheres no quarto trimestre de 2019 foi de R$ 1.958, enquanto o dos homens foi de R$ 2.495.

Nem mesmo ocupando o mesmo cargo que os homens elas conseguem vencer essa barreira: a diferença salarial é de 29% para mulheres em posições de diretoria e gerência em relação a seus pares masculinos nas mesmas funções. Entre os estados com a maior diferença salarial entre gêneros estão Mato Grosso (30%), Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul (28%), seguidos por Espírito Santo (27%), Mato Grosso e Santa Catarina (26%). https://bit.ly/2wo3m9Y
Você deixaria um cartão de crédito na mão de seu filho de 12 anos? E se você pudesse estipular o valor limite de compra? Foi pensando nos que responderiam sim a essas perguntas que a fintech (startup do setor financeiro) Trigg lançou um cartão de crédito adicional que pode ser disponibilizado para pré-adolescentes e adolescentes a partir dessa idade. Segundo a empresa, a ideia é estimular o planejamento financeiro de pais e filhos.

O produto pode ser solicitado diretamente no app da Trigg, em nome do próprio cliente ou de uma pessoa próxima. O titular do cartão poderá definir o limite de gastos e bloqueios de compra. O valor da anuidade por cada cartão adicional pedido (o limite máximo é de três) será de R$ 4,90 e é possível customizar o plástico com personagens da DC Comics, como Batman, Super-Homem, Mulher-Maravilha, Coringa e Arlequina. O cartão dá cashback (nome dado à devolução parcial de dinheiro pela empresa que te vende algum produto ou serviço) de 1,3% por compra.