A pressa de quem espera

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu o sinal: para ele, o ritmo do governo para viabilizar o auxílio financeiro temporário de R$ 600 por 3 meses aos trabalhadores informais “não parece tão emergencial”. O mecanismo de transferência de dinheiro do governo para aqueles que estão mais vulneráveis em razão da pandemia do coronavírus foi aprovado com rapidez no Congresso Nacional — passou pela Câmara na última sexta e recebeu a chancela do Senado na segunda.

O presidente Jair Bolsonaro, que se diz tão preocupado com as consequências econômicas quanto com as de saúde pública, teve a terça inteira para tomar inciativas práticas para fazer a medida andar, já que o projeto de lei precisa ser sancionado por ele. Em seguida, é necessário que seja editado um decreto com a regulamentação. Por fim, ainda vai faltar uma medida provisória para que sejam liberados os recursos do pagamento no Orçamento. No entanto, Bolsonaro não fez o processo andar.

Para efeito de comparação, o superpacote de estímulo do governo dos Estados Unidos para enfrentar o covid-19, que prevê mais de US$ 2 trilhões para ajudar a economia e teve uma tramitação um pouco mais demorada e espinhosa pelas casas legislativas americanas, foi sancionado por Donald Trump horas após ter sido aprovada na Câmara dos Representantes.

No pronunciamento em rede nacional de ontem à noite, Bolsonaro fez menção direta ao auxílio emergencial quando elencou todas as medidas que seu governo já havia tomado para enfrentar a pandemia. O que ele não deixou claro em seu discurso é que ele não fez o que tinha ao seu alcance para transformar a ideia em realidade para quem mais precisa.

Em tempo: o ministro da Economia, Paulo Guedes, deixou claro, ao responder a Maia sobre a lentidão do Executivo para colocar em prática a ajuda emergencial, que há uma disputa política ainda em curso: “Se Maia aprovar em 24 horas uma PEC de emergência, o dinheiro sai em 24 horas”. A medida citada pelo ministro é a PEC do Orçamento de Guerra, que vai liberar o governo de seguir algumas regras fiscais nos gastos extraordinários devido à pandemia do novo coronavírus. Logo após a mordida, ele assoprou: “A hora é de união, juntos somos mais fortes. Tenho certeza que o presidente Maia quer nos ajudar a aprovar isso”, afirmou Guedes.

Qual será o próximo passo nessa queda-de-braço? Aqueles que esperam qualquer ajuda do governo para ter algum dinheiro em meio à crise aguardam ansiosos.
Uma semana após um pronunciamento em que pediu explicitamente o fim de medidas de isolamento mais duras e defendeu a retomada total da atividade econômica, o presidente Jair Bolsonaro usou novamente uma cadeia nacional de rádio e TV para falar do coronavírus. Desta vez, o tom foi mais responsável ao tratar dos desafios humanos da crise sanitária e de saúde pública, mas sem perder a ênfase dada às consequências da pandemia no mercado de trabalho e na situação econômica do Brasil.

Tentando mostrar alinhamento com a OMS (Organização Mundial da Saúde), Bolsonaro usou parte de uma declaração do diretor-geral da entidade, Tedros Ghebreyesus: “Como disse o diretor-geral da OMS: todo indivíduo importa. Ao mesmo tempo, devemos evitar a destruição de empregos, que já vem trazendo muito sofrimento para os trabalhadores brasileiros”. No entanto, o presidente não fez referência à defesa do isolamento horizontal que Ghebreyesus realizou na mesma ocasião. Pela 1ª vez, o presidente admitiu que não existe vacina ou remédio com eficácia comprovada contra a doença: “O vírus é uma realidade, ainda não existe vacina contra ele ou remédio com a eficiência cientificamente comprovada. Apesar da hidroxicloroquina parecer bastante eficaz. O coronavírus veio e, um dia, irá embora. Infelizmente, teremos perdas pelo caminho”. https://bit.ly/2R1feq1
O 31 de março marcou o fim do mês e também do primeiro trimestre de 2020. Essa fotografia do primeiro quarto do ano já mostra o tamanho do estrago que a pandemia do coronavírus provoca na economia: aqui no Brasil, todas as 73 ações listadas no Ibovespa, o índice de referência da B3, sofreram perdas nos três primeiros meses do mês. Entre janeiro e março, a Bolsa recuou 36,8%, na maior perda para o período desde pelo menos 1994. https://bit.ly/2URd6Cb

Os problemas estão longe de ser exclusividade da realidade brasileira. Nos EUA, um dos principais índices de ações americanos, o Dow Jones fechou o pregão ontem com queda de 1,83%. O resultado levou o índice a acumular uma retração de 23,2% no primeiro trimestre. Foi o pior desempenho trimestral desde os três meses finais de 1987 e o pior início de ano de seus 124 anos de história. O índice S&P 500, o mais abrangente de todos, caiu 1,60% na terça e fechou os 3 primeiros meses com queda acumulada de 20%, o pior período de 90 dias desde o 4º trimestre de 2008, no auge da crise financeira global. https://bit.ly/2R27bJs
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A pancada do coronavírus não é sentida apenas no mercado acionário. Na economia real, os estragos também são bem palpáveis. O preço médio dos alimentos da cesta básica do brasileiro já sofreu o efeito imposto pela pandemia. É o que mostra um levantamento da FGV (Fundação Getulio Vargas).

A alta chegou a 1,64% no último dia 26 na comparação com os 30 dias anteriores. “Com as famílias mais tempo em casa, houve aumento da busca por alimentos nos mercados”, afirmou a FGV em nota. Os maiores aumentos foram do ovo (+9,04%), feijão preto (+2,24%) e arroz (+1,74%). https://bit.ly/2wRHF2D
Na cidade de São Paulo, desde o dia 20 de março, quando o comércio fechou e a maior parte das pessoas aderiu ao confinamento na tentativa de bloquear a pandemia de coronavírus, o que mais se vê são motoboys e ciclistas de aplicativo andando para cima e para baixo, entregando desde comida de restaurante a compras de supermercado e medicamentos.  

Um abaixo-assinado já reuniu em 4 dias 43 mil pessoas que pedem que os aplicativos (iFood, Uber Eats, 99Food, Rappi, Loggi, entre outros) distribuam alimentação e álcool em gel para os entregadores. Com a pressão, as empresas afirmaram ao 6 Minutos que, desde o último fim de semana, estão distribuindo álcool em gel e divulgaram a criação de fundos de ajuda aos entregadores. https://bit.ly/2R2RZM3
A paralisação quase completa das viagens pelas companhias aéreas – as três grandes do setor no Brasil, Gol, Latam e Azul, reduziram os voos em mais de 90% por causa do coronavírus – fará com que as trocas por produtos passem a representar, durante alguns meses, entre 70% a 80% do resgate de milhas. 

A avaliação é de Bruno Nissental, sócio do Oktoplus, aplicativo que permite comparar o valor de pontos de programas de fidelidade. “Nossos parceiros apontam que houve aumento do resgate de produtos como vinhos, jogos para crianças, equipamentos de ginástica, caixas de som e umidificadores de ar. Ou seja, aquilo que torna o ambiente de casa mais agradável e a quarentena menos estressante”, afirma. https://bit.ly/2Jvxbso
Se tudo o que está acontecendo em decorrência da pandemia do coronavírus já é difícil de processar para os adultos, imagina para as crianças. De repente os pequenos, cheios de energia para gastar, se viram obrigados a ficar dentro de casa, longe da escola e do convívio social com os amigos.

E como explicar para os pequenos que temos um inimigo invisível e que apesar de estar em casa os pais estão trabalhando? A conversa deve ser aberta e tranquila, explicando à criança, em linguagem adequada para a idade. Os pais devem construir um discurso que não deixe a criança com medo ou com raiva, mas as ajude a entender o que é o bem coletivo e a aprimorar o senso de coragem para enfrentar as dificuldades da vida. https://bit.ly/2xJqH6v